• Arthur Camargo

A Ilusão de um Prejuízo

Bom, eventos contábeis subjetivos são os coringas do barulho a disposição da Administração (e dos contadores): depreciações, amortizações, ajustes, testes de recuperabilidade e etc.depreciações, amortizações, ajustes, testes de recuperabilidade e etc.



Estes eventos, por vezes, podem ser retirados do resultado contábil gerando uma ideia de resultado contábil "limpo" como é o caso dos indicadores ebitda (na tradução resultado sem depreciação, imposto, taxas e amortizações), mas a quantidade de coringas contábeis é a mais diversificada possível.


Parafraseando Asaf Neto, "muito mais do que uma geradora de lucro, uma empresa deve ser uma geradora de caixa". Pense bem, enquanto há geração de caixa, com dívida sustentável, não importa a quantidade de lucro gerado. Fato é que o dinheiro que salva e não sua expectativa.


No mundo corporativo, lucro é base de cálculo para geração de dividendos e só! Os impostos são cobrados (pelo menos, na grande parte das empresas) na geração de caixa.


Nesse cenário é bonito de se ver o jogo jogado do trimestre da Petrobras (SA:PETR4): alta de quase 10% na receita bruta e queda de 3% nos custos - binômio perfeito para aumento da margem (e que aumento 23%!!). Esse resultado iria provocar um lucro líquido de quase 16 bilhões se não fosse o tal de impartiment.


O Impairment, também chamado de teste de imparidade ou teste de recuperabilidade, é um procedimento realizado nas empresas para a verificação de uma possível redução no valor recuperável dos seus ativos geradores de caixa.


É um movimento contábil novo, tem pouco mais de 12 anos. Este movimento contábil é utilizado para evidenciar e mensurar a perda da capacidade de recuperação do valor contábil de um ativo gerador de caixa ao Unidade Geradora de Caixa (UGC). Uma perda por impairment, como ocorreu na Petro, ocorre quando o valor contábil for superior ao valor recuperável de um ativo, ou grupo de ativos, de longa duração


O valor recuperável diferente do valor contábil deve estimar os benefícios futuros gerados pelo ativo e, para a determinação do valor das perdas, deve-se indicar o valor justo do ativo de longa duração e compará-lo com valor contábil desse ativo.


Sabe-se que é possível estimar o valor justo de um ativo a partir fluxo de caixa descontado, levando em se consideração taxa de crescimento, desconto e período. E foi por aí que a Petrobras fez a sua conta.


Segundo a petroleira, os ativos vinculados aos campos de produção de óleo e gás no Brasil seriam a principais Unidades Geradoras de Caixas as quais poderiam ser atribuídas um reconhecimento de perdas líquidas no valor de R$ 64.244. A taxa de desconto pós-imposto em moeda constante, aplicada ao setor de exploração e produção no Brasil foi de 7,3% a.a (6,7% a.a. em 31 de dezembro de 2019).


Em outros termos: COVID + CHOQUE PETROLEO + CÂMBIO ferrou com o potencial de geração de caixa dos ativos geradores de caixa em 65 bilhões e, por isso, “vamos fazer um ajuste no nosso balanço”!


Tá entendemos: ilusão contábil. Moral da história: Não saiu 65 bilhões do bolso da petroleira. É preciso olhar muito mais do que o Lucro, o caixa da Cia. Afinal, o resultado tá Petrobrás foi ruim? Não! Foi ótimo, quem consegue aumentar a receita em um trimestre em que ninguém consome combustível?

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