• André Luiz Cordeiro Cavalcanti

REFORMAS E MERCADO


Não é novidade para ninguém que o mercado espera ansioso pelas reformas propostas pelo governo Temer. A necessidade da reforma trabalhista e da reforma da previdência são uma unanimidade dentre os mais diversos ramos dos setores produtivos nacional.

A reforma da previdência tem um efeito mais importante na macroeconomia que diretamente para as empresas.

A diferença entre os valores arrecadados em contribuições e os benefícios pagos é deficitária, e tem causado desequilíbrio nas contas públicas. Esse desequilíbrio, quando ocorre em países com tanta participação do estado na economia, causa instabilidade econômica.

Tal situação se agrava quando olhamos para o futuro. Diante da tendência de envelhecimento da população brasileira e da cifra já elevada do gasto com aposentadorias e pensões, dentro de menos de 50 anos o Brasil gastará, somente com a Previdência, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Este patamar será atingido em 2060. A proporção subirá para 24,7% em 2100 — se nada for feito. Os dados constam de um estudo, obtido com exclusividade pelo GLOBO, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Nessa toada, a economia do país não suporta essa pressão, e todo o desenvolvimento econômico e social será prejudicado. Diante desse cenário, é fundamental a reforma da previdência, a despeito de se concordar ou não com os moldes da proposta feita pelo atual governo.

Já a reforma trabalhista tem efeito direto no lucro das empresas. Essa reforma desonera a folha de pagamento e flexibiliza as formas de contratação. Assim, o empresário gastará menos para contratar, e para demitir seus empregados. De outro lado, alguns direitos trabalhistas se perdem, e a Justiça do Trabalho perde sua força para os acordos feitos entre patrões e empregados.

Não podemos esquecer que os acordos entre partes, em que uma delas tem menos poder que a outra, costumam não ser equilibrados e justos, por isso nos acordos entre patrões e empregados, os trabalhadores são considerados hipossuficientes, ou seja, são a parte fraca da relação.

De qualquer modo, a reforma trabalhista é ansiosamente esperada pelos empresários.

Essas reformas têm dois efeitos na economia, um direto e um difuso.

O Efeito direto é de médio e longo prazo e decorre da redução de gastos públicos em função da reforma da previdência e da redução dos custos dos empresários na reforma trabalhista.

Já o efeito difuso decorre da confiança que o mercado tem na estabilidade política e econômica.

Com a crise política, oriunda das denuncias efetuadas por Joeslei Batista, principal acionista da JBS, o mercado passou a não ter certeza de que as reformas seriam aprovadas no congresso.

Quando a Comissão de Assuntos Sociais do Senado rejeitou, neste terça-feira (20), parecer do relator Ricardo Ferraço (PSDB-ES), favorável ao texto da reforma trabalhista o mercado temeu não apenas o fato dessa legislação não ser aprovada, tendo em vista que a possibilidade de aprovação no plenário da Casa parece certa, mas, e principalmente, a perda da base de apoio parlamentar do governo.

O mercado tem uma experiência recente de estagnação econômica decorrente de uma crise política histórica. Nesses momentos de crise, os investimentos se reduzem, a produção arrefece, aumenta desemprego e com isso os lucros dessas empresas diminuem.

O que precisamos ter em mente, sempre, é que tudo o que o mercado não deseja é diminuir os ganhos de seus agentes, e sempre que esses ganhos estiverem ameaçados, os investidores se defendem, e escolhem não perder.

Por isso a acentuada queda na bolsa no dia seguinte em que o relatório foi rejeitado.

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