• Arthur Mesquita Camargo

A Guerra das Maquininhas


O mercado de meios de pagamento está cada vez mais movimentado, competitivo e diversificado. Esse movimento competitivo está pressionando as grandes empresas de meios eletrônicos de pagamentos que estão diversificando a oferta de atrativos aos Clientes. Temos de tudo: Máquinas por aluguel, por compra, planos pré-fixados, pós-fixados, com margens, sem limite, para micro empresário, lojista, varejo, vendedor de rua! Vale lembrar, no entanto, que esse mercado vive de percentual cobrado por cada operação, assim quanto maior for a concorrência, menor serão as margens e, por tanto, menor será o lucro geral das empresas. Em uma rápida análise, de 2008 a 2016, a taxa média de cobrança caiu aproximadamente 0,7%, representando algo próximo a 4,6 bilhões de reais.

A batalha pelo trono tem se dado no varejo e nas empresas de pequeno e médio porte, nos quais entrantes como iZettle, PagSeguro, Global Payments e Stone têm se concentrado com ofertas mais competitivas em relação às oferecidas por Cielo, Rede e GetNet, que são as líderes do mercado.

Segundo as Estatísticas de Pagamentos de Varejo e de Cartões no Brasil, divulgado pelo Banco Central (BACEN) no início de Julho, o valor total das transações com cartões de crédito foi de R$ 674 bilhões e com cartões de débito foi de R$ 430 bilhões, representando aumento nominal de 3% e de 10%, respectivamente, em 2016 em comparação com 2015.

É notável o aumento das transações por cartão de crédito, contudo chama mais atenção o declínio do uso das maquininhas de cartão. Pela primeira vez, desde de o início da série histórica, em 2008, a quantidade de terminais caiu de um ano para o outro, uma queda de mais de 3%.

A explicação ainda está nos números do BACEN. Segundo o relatório, em 2016, 16,7 bilhões de transações foram feitas por equipamentos móveis, como celulares, o que corresponde a 28% das operações. Como comparação, em 2015, essa participação era de apenas 19%. Ou seja, as chamadas maquininhas de cartão estão perdendo espaço para outras plataformas de pagamento, como aquelas realizadas via celular.

Em uma análise solitária, as transações por telefone celular dobram a cada ano, foram mais de 16 bilhões de operações realizadas em 2016. Para se ter uma ideia, em 2008, no início da série histórica, não passávamos de 70 milhões de operações.

Um estudo feito pelo We Are Social, o Digital in 2017 Global Overview, revelou que, no Brasil, metade da população brasileira acessa a internet e as redes sociais por dispositivos móveis. Assim, mais cedo ou mais tarde era de se esperar que as fintechs olhassem para esse mercado. É o que está acontecendo, um exemplo, é a PicPay.

Fundada em 2012, a PicPay é uma startup brasileira voltada para o setor de meio de pagamento. O objetivo da empresa é “acabar com a frieza e burocracia das transações financeiras tradicionais e proporcionar às pessoas uma experiência muito mais simples, amigável e significativa, que vai muito além de enviar e receber dinheiro”. A ideia é ótima e, aparentemente, tem dado resultado: o aplicativo está classificado dentre os que receberam de 5 a 10 milhões de downloads.

Se pensarmos que o número de maquininhas demorou quase 10 anos para alcançar a marca de 4,4 milhões, é fato que nos próximos anos veremos esse mercado se movimentar de uma forma tão brusca que é provável que algumas empresas de referência sofram uma espécie de efeito Kodak. Será que nos próximos anos teremos a extinção da famosa frase “é débito ou crédito”?

De toda forma, ainda há muito para se discutir sobre este tipo de Fintech. Na próxima semana, daremos continuidade abordando mais a fundo como essas startups financeiras estão aproveitando esse novo espaço e como as grandes estão se movimentando para não desaparecer.

Até lá!

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