• Bruno Felipe, Marcos Gonçalves e Mariá Fernandes.

A remuneração pode ser uma forma de discriminação?


A remuneração, ao contrário do que muitos pensam, não pode ser definida apenas pela cifra recebida pelo funcionário por serviços que foram prestados a à empresa no decorrer da semana, quinzena ou mês. O estudo da remuneração e seus fatores, tanto nas organizações quanto para os funcionários, vem ganhado cada vez mais espaço no campo das ciências sociais aplicadas, uma vez que seu impacto é de significativa importância para o entendimento de vários aspectos que envolvem direta ou indiretamente o desempenho, cultura e valores de ambos os envolvidos.

A primeira questão a ser discutida antes de avançarmos na reflexão acerca desse estudo, é saber diferenciar Remuneração de Salário. Podemos dizer que todo salário faz parte da remuneração, mas nem toda remuneração é salário. A questão é que o salário é aquela quantia financeira definida em contrato entre a empresa e o funcionário que será paga sempre ao final de um ciclo operacional, seja por hora, diária, semanalmente, mensal, semestral, ou seja lá quais forem os termos do contrato. Por outro lado, remuneração engloba, além do salário, vantagens, serviços, viagens, e outros benefícios para o funcionário decorrentes de seu vínculo com a organização.

Atualmente existem vários tipos de remuneração que se aplicam às mais diversas situações nas empresas. São eles:

• Remuneração Funcional: Essa é uma das formas de remuneração mais tradicionais entre as organizações, pois é composto pela descrição do cargo, faixas salariais, política para administração de salários e pesquisas salariais. • Remuneração por Habilidades: Como o próprio nome sugere, os conhecimentos e habilidades do contratado são os principais fatores dessa forma de remuneração. • Remuneração por competências: Essa forma de remuneração é mais adotada âmbito gerencial das organizações, e passou a ser interessante por fatores como crescimento dos setores de serviços na economia, aumento na demanda de profissionais qualificados ou a necessidade de conhecimento intensivo nas empresas. • Remuneração Variável: A remuneração variável consiste numa forma de complementação do salário fixo dos funcionários, baseada no desempenho e nos resultados que possam ter sido alcançados dentro ou acima da meta previamente estipulada. • Participação Acionária: Essa forma de remuneração é um ligeiramente diferente das demais, uma vez que o colaborador passa a ser proprietário de uma parcela da empresa, o que lhe dá direito de participar da divisão dos lucros da entidade. • Remuneração criativa: Essa é uma forma de remuneração que tem por objetivo promover um vínculo entre o funcionário e a empresa. Esse fator de proximidade cria uma sensação de motivação e recompensa por desempenho por parte dos funcionários. • Salário indireto: O salário indireto deve ser entendido como todos os benefícios econômicos que o funcionário recebe, mas que não fazem parte do seu vencimento salarial direto. Plano de saúde, auxílio alimentação, auxílio transporte e auxílio moradia são exemplos dessa forma de remuneração.

Com o passar do tempo, algumas organizações entenderam que seria viável que a remuneração deveria ser algo de sigilo entre ambas as partes, e que políticas de pagamento sigiloso seriam necessárias. Existem fatores positivos e negativos acerca dessa definição, que podemos enxergá-los nos aspectos culturais, sociais, motivacionais e até de discriminação salarial.

É fato que quando tratamos a remuneração de forma sigilosa, fatores como discriminação salarial, baixa na motivação, e a insatisfação do funcionário podem estar sendo gerados. Por outro lado, há quem pense que a privacidade deve ser mantida, e a questão salarial de um indivíduo diz respeito apenas ao empregador e ao funcionário. De qualquer forma, esse assunto é delicado e deve ser estudado de forma criteriosa, para que possa gerar apenas benefícios para os dois lados.

Ainda é comum nos depararmos com situações de discriminação de remuneração, principalmente quando tratamos de gênero e raça. Por mais que existam vários modelos de remuneração bem definidos, a diferença salarial entre homens e mulheres que ocupam os mesmos cargos ainda é comum. Pesquisas realizadas na plataforma Catho com aproximadamente 8 mil profissionais, mostram que as mulheres apresentam remunerações de até 53% menos que os homens que ocupam os mesmos cargos.

São comuns relatos dentro da própria universidade, de alunas que são discriminadas por serem mulheres até em estágios. Outro fator de remuneração que podemos discutir é o auxílio maternidade e de como ele é visto pelas pessoas, a discussão sob ótica masculina geralmente é de que este benefício é um ônus para a empresa e uma espécie de favor para a servidora. Já sob um olhar feminino, tem-se outra percepção de que não é um “favor” para esta funcionária por diversos fatores e alguns prejudiciais, como exemplo a Alemanha onde as mulheres recebem apoio do governo por dois anos, ao lermos isto temos a percepção de benevolência do empregador, mas criticamente esta mulher abdica de tempo da sua vida para uma atividade fora da sua área de trabalho a qual, dependendo da sua área de atuação, quando ela tentar retornar para seu emprego será considerada uma funcionária retardatária, ou até mesmo levará a sua demissão por conta do seu tempo parada e “desatualizada”.

Quando olhamos para a ótica materna juvenil, os números são preocupantes pois, a mulher é vista como a responsável pela criança. Os dados mostram a desistência dos estudos que por sua vez acarretam em carreiras mais usuais e comuns, pois a vida acadêmica demanda demais de todos, quando se tem uma responsabilidade tão grande quanto uma pessoa que depende de você, sem o apoio é muito esforço se torna inviável conciliar todos os fatores para uma carreira de sucesso, onde só de ser mulher já é um fator de desvantagem.

Em um pesquisa vinculada no Portal G1, são apresentadas as disparidades salariais entre homens e mulheres que possuem o mesmo nível de escolaridade. Os graficos e resultados podem ser encontrados no seguinte link: https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/mulheres-ganham-menos-que-os-homens-em-todos-os-cargos-e-areas-diz-pesquisa.ghtml

Ainda há um longo caminho a se percorrer no estudo das formas de remuneração e seus impactos nas organizações e colaboradores, para que, futuramente, tais formas sejam cada vez mais justas e coerentes aos profissionais de todas as áreas de atuação no mercado de trabalho.

Fontes:

http://economia.estadao.com.br/blogs/econoweek/qual-e-a-diferenca-salarial-entre-homens-e-mulheres-ao-redor-do-mundo-e-como-diminui-la/

http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/diferenca-salario-remuneracao.htm

http://www.rhportal.com.br/artigos-rh/tipos-de-remunerao/

https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/mulheres-ganham-menos-que-os-homens-em-todos-os-cargos-e-areas-diz-pesquisa.ghtml

https://www.ibccoaching.com.br/portal/conheca-os-7-tipos-de-remuneracao-mais-comuns/

#SiegridGuillaumonDechandt

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