• André Luiz Cordeiro Cavalcanti

Por Que Existem Desigualdades?


Hoje vou tentar discutir com vocês alguns motivos que levam a desigualdades. É comum ouvirmos que o Brasil é um país desigual, que as oportunidades são dadas a poucos privilegiados, e que tudo isso é o motivo de tantas mazelas. Vamos discutir alguns desses motivos, segundo a visão de um dos cientistas mais renomados que estudam esse problema, o Professor Atkinson da Harvard University, que em 2015 publicou seu livro: Inequality: what can be done?

1) Globalização

A globalização começa influenciando a desigualdade por meio da utilização de mão de obra. Economias avançadas enfrentam uma concorrência maior de países nos quais os salários de profissionais menos qualificados são mais baixos. Por outro lado essas economias mais avançadas demandam mão de obra mais qualificada. Assim, a história, segundo o autor, é contada em termos de dois grupos de trabalhadores, os qualificados e os não qualificados.

Diante disso, e dos conceitos de oferta e demanda de mão de obra qualificada e não qualificada, e do conceito de prêmio salarial, o autor demonstra que quanto mais alto o preço relativo do bem que depende de mão de obra altamente qualificada, maior o prêmio salarial para trabalhadores qualificados. Com isso, se a globalização implica em países importando bens manufaturados mais baratos, pagos pela exportação de serviços de alta tecnologia mais valiosos, então os salários qualificados aumentam em relação aos salários não qualificados, e assim a proporção de salário de equilíbrio de mercado se inclina desfavoravelmente no sentido dos trabalhadores não qualificados.

2. Mudança tecnológica

Em relação a mudança tecnológica o principio está no fato simplista de que tal desenvolvimento beneficia mais a mão de obra qualificada, pois aumenta sua produtividade mais que aumenta a da mão de obra não qualificada.

Isso não é tão óbvio, segundo o autor. Para ele dependerá da elasticidade de substituição entre os dois fatores (trabalhadores qualificados e não qualificados). Se a elasticidade de substituição for maior que 1,haverá ampliação na dispersão de ganhos.

Considerando tal contexto e a demanda por qualificação (oferta de trabalho mais ou menos qualificado), o autor afirma que elevar o nível de capacitação da força de trabalho torna o país mais capacitado a se beneficiar da globalização. Haverá mais beneficiados e menos prejudicados. Um país com uma força de trabalho mais bem capacitada pode de fato ser totalmente especializado na produção de produtos ou serviços avançados.

3. Crescimento dos serviços financeiros

Os serviços financeiros incluem fundos de pensão e e empresas de seguros de vida. Essas empresas são atualmente os maiores detentores das ações de empresas produtivas. Essas rendas não estão concentradas na mão das famílias. Cada vez mais os retornos do mercado de capital vai para essas organizações, e a remuneração ou retorno que poderia se tornar renda para as famílias é postergada.

4. Mudança das regras de remuneração

Os salários são influenciados por dois conjuntos de forças. Oferta e demanda determinam uma diversidade de pagamentos possíveis, e as convenções sociais determinam a localização dentro dessa diversidade.

Uma sociedade pode sair de uma situação com alto nível de conformidade à norma de pagamento, e, portanto, com diferenciais relativamente baixos de salários, e ir para uma situação na qual uma proporção muito maior de trabalhadores é paga em uma base individualizada. Esse processo tem ocorrido em, por exemplo, Universidades Americanas.

5. Redução do papel dos sindicatos

O autor afirma que a ampliação da distribuição de pagamentos coincidiu com o declínio do papel dos sindicatos e das negociações coletivas. O autor mostra estudos que tentam demonstrar como a grande redução da sindicalização foi responsável por ampliar a dispersão salarial. Mostra também estudo em que se conclui que o declínio modesto na cobertura sindical entre mulheres teve pequeno impacto na desigualdade salarial feminina.”

Sendo assim, queridos leitores, é importante refletirmos de forma crítica acerca desses pontos, e compreender até que ponto fatores de desenvolvimento contribuem para a redução do bem estar de parte da sociedade.

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