• Arthur Mesquita Camargo

O Futuro (do Pretérito) do Iphone


Como todo aficionado por Tecnologia, vi o evento. Além de suas telas, o iPhone 8, 8 Plus e X não são lá tão diferentes por dentro. Tudo mais do mesmo: processamento mais rápido, melhores câmeras, um design diferente, detecção de face (que não funcionou na apresentação). Na verdade, o que mais chamou a atenção foi o CEO da Apple, Tim Cook, falar: "Dez anos depois, é apropriado que estejamos aqui neste lugar, neste dia, para revelar um produto que definirá o caminho para a tecnologia para a próxima década" … "o maior avanço desde o iPhone original".

Ou o Tim Cook é pouco visionário ou estava tentando convencer os Apple FanBoy’s (pessoas que acreditam que os produtos da Apple são melhores do outros semelhantes), pois não houve nenhum benchmarking na apresentação, tudo já existe em algum celular xing ling ou sul coreano.

Enfim, polêmicas a parte, vamos assumir que o Tim Cook esteja certo. Será esse então o futuro da marca para os próximos 10 anos? Vamos fazer uma análise financeira para entender o futuro da marca, sob o ponto de vista de Tim Cook.

Ecossistema Apple (Fanboy’s Family)

De acordo com estimativas do Deutsche Bank, a base instalada de usuários do Iphone está estagnada. De acordo estimativas do banco, em meados de 2018, 35% dos celulares da Apple em funcionamento terão pelo menos dois anos de idade. E, isso é um grande problema.

A Apple registra, aproximadamente, 650 milhões de usuários, contudo a empresa está tendo dificuldades de aumentar a família, o crescimento da base instalada está indo em direção a zero. Trocando em miúdos, não tem mais gente querendo o celular. O mercado está maduro, e isso é um fato.

Segundo o Banco, há duas razões para a estagnação: as operadoras de celular nos EUA e na Europa pararam de subsidiar estes aparelhos e as mudanças anuais nos smartphones deixaram de fazer diferença para muitos usuários. Por exemplo, o Iphone 6s é praticamente o mesmo aparelho do que o Iphone 7.

Além disso, podemos acrescentar os dados financeiros do terceiro trimestre de 2017 (Third Quarter Results). No relatório, a empresa revelou queda gerais nas vendas do iPhone, em especial, no mercado Chinês e Norte Asiático. A China representa nada menos do que um terço das vendas de smartphones mundiais, porém a concorrência com marcas mais baratas, como Huawei, Oppo e Xiaomi, representaram um desafio para a marca que desde de o ínicio do ano tem registrado quedas.

Ecossistema estagnado, perda de mercado, competição com marcas mais baratas. Será que o futuro da marca é descolar deste mercado de chão?

Sobre os Preços (Precificação)

Começando com iPhone 8 é o mais barato entre os três com preços variando de US$ 699 a 849, enquanto o iPhone 8 Plus custa de US$ 799 a US$ 949. Já o iPhone X, novo topo de linha da marca, custará de US$ 999 a US$ 1.149.

Em comparação com os modelos anteriores, os preços aumentaram e não foi uma excepcionalidade. Ao longo da última década, a Apple aumentou o valor do modelo de entrada em mais de 40%, além de aumentar seu portfólio de produtos, incluindo produtos com faixas de preços diferentes, com margem de lucro maior e custo menor (p.e: plus, espaço de armazenamento maior).

O aumento de preços ao longo dos anos tem uma explicação gerencial: é a única maneira de registrar um crescimento significativo em um mercado maduro, de crescimento lento, onde sua participação no mercado está estagnada. Pense, se não há crescimento de mais usuários, como aumentar a receita corrente? "A quantidade é fixa, aumente o preço", dizem os analistas. Mas será que o aumento de preços está relacionado ao aumento da margem de lucro ou aumento dos custos de produção?

Segundo a empresa IHS-Markit, os custos de fabricação dos celulares da Apple estão cada vez maiores. Por exemplo, na linha atual, o iPhone 6s custa US$ 188, o iPhone 7 de 32 GB custa US$ 220, enquanto que o custo do iPhone-X não deve ficar menor do que US$ 387. Comparando novamente os produtos, a margem de lucro do iPhone 6s, 7 e X fica na mesma média de 60%.

(A metodologia de cálculo da empresa levou em consideração apenas os custos diretos e indiretos na fabricação dos produtos de primeira linha.)

Com custos de produção crescentes, margens de lucro constantes, tecnologias incrementais cada vez mais caras, será o futuro da marca a construção de aparelhos mais caros, mais luxuosos?

Mercado Financeiro

O iPhone é o carro chefe dos negócios da Apple, gerando de forma constante cerca de 70% da receita da empresa, algo próximo a US$54 bilhões, frente a uma receita total de 78 bilhões. Ignorar o produto é atentar contra o futuro da empresa. Então, como agradar o mercado financeiro? Criando novos produtos? Então, o lançamento dos aparelhos afetou positivamente o mercado?

Não. O Mercado não gostou: tecnologias incrementais, erros na apresentação e, o mais importante, preços excessivamente altos. Como ganhar(recuperar) mercado na Índia e China com preços tão superiores aos concorrentes?

No gráfico mensal, fica claro que o mercado já sabia do aparelho e de seu preço desde do início de setembro, e já vinha precificando, com queda de mais de 3% no mês. Claro, a ação vem da máxima histórica e a expectativa é de correção, o que pode azedar todo o índice da Nasdaq. Em resumo, o Mercado só é fanboy do dinheiro.

Para finalizar, a Financial Times fez um gráfico espetacular. Comparou o preço da ação com o lançamento dos aparelhos. Veja: nenhum aparelho subsequente conseguiu causar um impacto semelhante no Mercado como aquele causado pelo primeiro iphone. Aquele, sim, definiu o caminho de uma geração inteira de smartphones, a pedra angular.

E você, acha que o Iphone X definirá o futuro da marca? Você acha que celulares caros com detecção de face, tela infinita e câmera super potentes serão relevantes daqui a 10 anos?

#iphone #apple #smartphone #finanças

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