• Siegrid Guillaumon

Me explique aí por que os cientistas brasileiros tem uma participação tão pequena no cenário científ


Vamos falar da ciência da gestão, esta ciência do ‘fazer’, o estudo das práticas organizacionais. Em agosto ocorre o Academy of Management Annual Meeting, o maior congresso científico em Gestão no Mundo. São em torno de 10.000 participantes de mais de 100 países inscritos todo ano no Congresso, que sempre ocorre em uma grande cidade dos Estados Unidos ou Canadá. Este ano em Atlanta, na Georgia.

A estrutura é gigantesca porque a Associação Academy of Management - criada em 1936 e que hoje que conta com 20.000 associados (aproximadamente 13.000 acadêmicos e 5.000 estudantes) - reserva integralmente todos os maiores hotéis para hospedar estes pesquisadores e praticantes que irão por 5 dias debater perspectivas futuras para a gestão. Abaixo encontra-se uma descrição dos associados por região:

Fonte: Academy of Management, 2016. www.aomonline.org.

Os números são brutais: 25 divisões que representam os diferentes campos de estudo em gestão. Em 5 dias são apresentados em torno de 6.000 artigos científicos; 1000 simpósios; e 500 Workshops (PDW).

Todo ano é lançado um tema que orienta os trabalhos submetidos. Neste ano o tema é: NA INTERFACE. A interface seriam as fronteiras e interconexões entre sistemas, conceitos ou indivíduos. O tema enfatiza a natureza dual das interfaces, ou seja, estabelece ligações que separam e diferenciam; demarcam espaços no quais os insiders podem se unir e definir objetivos e desenvolver identidades comuns e praticar atividades organizacionais. As interfaces também são o ponto de ligação que facilita a comunicação, a negociação, e o intercâmbio através das fronteiras. Pensar a interface também significa pensar sua expansão e sua constante modificação em rede (aomonline.org).

O tema da interface também impulsiona a reflexão sobre a expansão das fronteiras da organização, expansão esta que ocorre para a sociedade, interferindo e transformando o tecido social que está, e se constrói em relação à organização, ambos modificando-se nesta relação dual. Mecanismos de poder e resistência ocorrem no espaço intersticial descrito como A INTERFACE.

Sem dúvida o tema lançado pelo Academy of Management provoca e reflexão em torno da sociedade em rede já descrita por Castells em 1999. Esta sociedade “originou-se e difundiu-se, não por acaso, em um período histórico da reestruturação global do capitalismo, para o qual foi uma ferramenta básica. Portanto, a nova sociedade emergente desse processo de transformação é capitalista e também informacional, embora apresente variação histórica considerável nos diferentes países, conforme sua história, cultura, instituições e relação específica com o capitalismo global e a tecnologia informacional” (CASTELLS, 1999, p.50). Intensifica-se também a percepção de que a geração de informação, e a forma particular como passa a ser processada e transmitida, se torna causa da produtividade e de novas relações de poder, ao que Castells (1999) diferenciou como característica ‘informacional’ (CASTELLS, 1999, p.64-65). O tema é muito interessante, permite pensar redes, pertencimento, identidades, poderes.

Mas me explique aí porque a participação de pesquisadores brasileiros neste tipo de espaço científico é tão pequena?

São 173 associados brasileiros de 121 instituições que visam aprender e ensinar nestes espaços privilegiados de troca de saber. Somos poucos. Mal nos conhecemos. Não somos insiders. Somos pequenas redes procurando nos incrustrar nesta rede gigantesca do conhecimento científico internacional em gestão.

Conteúdo inovador e casos interessantes de estudos organizacionais nós temos. Uma diversidade incrível. Criatividade também. Faz parte de nossa construção social. E para participar e pertencer na rede é preciso conhecer duas linguagens: uma ancorada no idioma inglês, que precisa ser fluente, acadêmico, técnico. E tem outra, ancorada no idioma científico, que, seja ele mais racional cartesiano, seja ele mais crítico e até eclético, exige rigorosa dedicação. Muitas são as instituições e competências mobilizadas para permitir dominar estas duas linguagens. Nossos resultados são estes.

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