• Amanda Almeida Paiva

Investir: A nossa mente e o mercado “Você toma decisões baseadas em quê?”


Por que as pessoas sabendo que devem gastar menos do que ganham, continuam extrapolando suas contas? Se é tão obvio, por que acontece?

Não estamos nem falando em poupar hein, só em gastar até o limite que se ganha. E se pensarmos em investir? O que temos que avaliar para que isso seja uma realidade possível e o que de fato avaliamos é sobre o que falaremos aqui hoje.

Quando se fala em fazer consumo, se fala muito em propaganda, comportamento de manada, criação de necessidades ou descoberta delas por empresas de marketing.

Estrada contrária é a de guardar, poupar, pensar no futuro e chegar até a investir em algum ponto da vida.

E se a gente pensar nisso, viver pode ser o maior tormento de uma pessoa, porque em nenhum momento ela pensou no futuro.

É claro que cada um possui um comportamento em relação ao dinheiro.

Daniel Kahneman, o famoso autor de Rápido e Devagar – Duas formas de pensar, foi um psicólogo vencedor do Prêmio Nobel de Economia. Aí nesse momento você me pergunta: “Mas a economia não é uma coisa racional, advém lá das Hipóteses de Mercados Eficientes”. Eu respondo: “Sim, a princípio...”. Mas mesmo assim, e talvez por isso, esse cara tentou transformar as Finanças Comportamentais em ciência. Logo, ele é considerado o papa, criador, pai, especialista nessa área.

O que basicamente essas teorias concentram é o fato de que todos nós somos influenciados demais em decisões de compra e de investimento.

Mas é obvio que a gente, apesar de influenciável, também não é tão bobo assim. Nós tentamos nos desvencilhar de alternativas ruins e nossas vivências de vida ajudam nisso. Mas, porém.... elas também podem atrapalhar. Imagina se você na sua infância teve um pai ou mãe, ou os dois, que gastavam além da conta. Você provavelmente só poderá ter dois caminhos para lidar com o dinheiro no futuro. Ou fica tão traumatizado que não gasta dinheiro nem com uma pastilha de hortelã, ou gasta como se não houvesse amanhã, assim como eles fizera. Óbvio que esse é um exemplo muito extremo, mas acontece muito mais do que imaginamos.

Muitos dos estudos feitos sobre comportamento do consumidor e afins, lá pelo pessoal da psicologia comportamental, indicam que a maioria esmagadora das pessoas, alguns chegam a apontar números maiores do que 90%, tomam decisões baseadas em seu subconsciente, que é formado pelas informações que a gente basicamente adquire ao longo da vida, experiências e tal. Então você acha que tá tomando a decisão, mas ela já tá tomada na sua cabeça, você que ainda não sabe ou não se deu conta disso ainda.

Com certeza existe gente que consegue discernir muito bem essas coisas, separar os dois mundos. Entretanto, isso é bem mais difícil de acontecer. Então não vamos pensar que somos os únicos espertos ali e o mundo inteiro a nossa volta que é influenciável.

Quando a gente vai ao cerne da ideia de Finanças Comportamentais, temos que entender que ela trata do lado de cá da decisão. O investimento é feito por uma pessoa que possui suas crenças e baseado nelas gera seu perfil de investidor, podendo ele ser do mais conservador ao mais propenso a assumir riscos, e assim compra ou não seu título, investindo da maneira que acha mais correta. Inclusive, a matéria diz até que podemos trazer conosco, na nossa carga genética, que vem com a gente desde que nos formamos lá na barriga da nossa mãe, tendências de comportamentos que influenciarão essas decisões e todas as outras que tomaremos na nossa vida.

Pelo outro lado, o investimento também é regido pelo mercado. Vale lembrar, e eu falo sempre isso pros meus alunos, que todo preço de alguma coisa, de uma ação, de um financiamento, de uma caneta, de uma laranja, do litro da gasolina, de qualquer coisa, reflete algo muito simples, mas muito importante também. Que é a: in-for-ma-ção.

Logo, quando as pessoas vão decidir no que investir, quando elas já tomaram a decisão de; “sim, vou investir”, essas informações todas, que já influenciaram o valor das coisas, também vão ser mais um passo a nossa tomada de decisão, juntamente com o que se passa dentro da cabeça de cada um, que normalmente é algo relacionado a: “vou investir em algo rentável, que vem sendo positivo nos últimos tempos”. E mais um passo também ao conforto pós investimento, que é o famoso “se acostumar à decisão tomada”. Porque difícil é tomar a decisão, depois é só preciso se acostumar a ela. E isso serve pra qualquer coisa na nossa vida, não é mesmo?

O problema dessa influência da informação é que hoje, a gente tem bombardeios diretos e descomunalmente gigantes de informação o tempo inteiro. E ao mesmo tempo, todos os seres pensantes da economia também estão por dentro de tudo isso. E o que isso quer dizer? Ter informação não é bom? Não ajuda na tomada de decisão? Sim! Mas também confunde a cabeça. Tenho certeza que você já se deparou com algum menu de restaurante com diversas opções e você não conseguiu fazer uma escolha sem medo. Enquanto no cachorro quente da esquina, você só tem que decidir se quer com molho ou na chapa. Então nem sempre ter muitas alternativas nos faz fazer o melhor investimento. Quem nunca comprou o maior combo de pipoca no cinema só porque ele é um real mais caro do que o combo médio, mas nunca comeu até o final do pacote? O vendedor só queria vender o maior e a gente sempre cai nessa achando que tá fazendo o melhor negócio. Lembre-se: o melhor negócio é aquele pacote que você come inteiro. E esse tipo de estratégia também é usada pra se vender produtos financeiros. O seu gerente de banco já te fez alguma proposta assim? Algum consórcio, título de capitalização? Pensa aí...

No fim das contas, diante de tantos pontos aparentemente contraditórios, o que é preciso fazer pra se tomar uma boa decisão de investimento? Aliar as duas coisas!!!

Tem um fato muito importante que eu ainda não falei, e que pode ser a conclusão disso tudo que dissemos aqui. Se o ser humano tem seus comportamentos influenciados pelo seu subconsciente consideravelmente, mas também toma suas decisões influenciados pela informação do mercado, que já foi inclusive embutida nos preços, o que pode se inferir e notar, que é muito óbvio, e que a gente esquece com frequência, é que a economia como um todo é formada por pessoas. Consequentemente, as finanças em geral, como representação prática da economia, são influenciadas de forma muito pesada pelas ações dos investidores, pelo que cada investidor faz e, no conjunto, o cenário geral reflete uma tendência.

Isso é muito fácil de ver na ideia de oferta e demanda, por exemplo. Quando o comprador, que no caso aqui seria nosso investidor, demanda um produto mais do que o vendedor pode ofertar, que seria o caso, por exemplo, de uma ação muito procurada, o preço do produto aumenta vertiginosamente, pois a quantidade daquele produto é limitada. Ao passo que se a oferta do produto está exagerada, sobrando no mercado, que pode ser o caso de ações de empresas em baixa, o que acontece com elas é a queda do preço.

Pra fecharmos a nossa conversa, o que devemos lembrar ao investir são alguns pontos especulados aqui. Somos seres pensantes, aparentemente racionais, mas muito mais influenciáveis do que imaginamos, logo precisamos estar confortáveis com a nossa decisão e, portanto, com o investimento que estamos fazendo. Segundo, a economia é um ciclo vicioso, e toda informação nela disseminada, será abarcada pelos preços, e por último, e não menos importante, nós, seres humanos e investidores “gastantes” do dinheiro, somos o que forma a economia.

Espero que você tenha entendido o ponto em que o mercado e o nosso comportamento se conectam.

Um grande abraço e até semana que vem!

#finanças #finançaspessoais #amandapaiva

54 visualizações

Veja, escute, leia, pense, faça...

ARGONAUTAS

2017

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey YouTube Icon
  • Grey Instagram Icon
contato@argt.com.br
61 99853-4925